Esta mãe teve que decidir qual das suas filhas ia deixar morrer… O que ela contou…

“Tive de escolher qual das minhas filhas iria ajudar a viver, e qual iria deixar morrer…”

“Tive de escolher para qual filha eu ia doar o meu rim”. Esse foi o dilema que mudou a vida de Zilda, mãe de três meninas que precisavam dessa ajuda e ela só poderia conceder essa benção para apenas uma das suas filhas. A seguir vais ler o depoimento desta mãe heroína!

“Eu precisava tomar uma decisão. No final de 2004, vivi um dos piores dramas que uma mãe pode enfrentar: escolher um filho para privilegiar. Eu tinha apenas um rim para doar e três filhas para recebê-lo. O que fazer? Como ser justa? Eu passava noites em claro em busca de uma solução. Tentava encontrar critérios, esperava uma luz. Não conseguia.

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Eu sofria ao ver as minhas filhas na hemodiálise. Elas tinham de passar por isso três vezes por semana. Cada sessão durava quatro horas. Era muito triste. Imaginem só: 12 horas por semana ligadas a uma máquina e sabe-se lá quantas outras horas sofrendo os efeitos colaterais… Todas elas tinham náuseas, tonturas, oscilação de pressão. Mas a Anna Paula ainda teve depressão, ataques de síndrome de pânico e crises de hemorragia que resultaram numa anemia profunda. Ela chegou a precisar de uma transfusão de sangue em 2004.

As três entraram na fila de espera de doadores

Minhas três filhas precisavam de transplante de rim! Mas isso não é simples. É preciso aguardar numa lista de espera enorme e realizar muitos exames para ver o tipo de compatibilidade necessária. Em alguns casos, infelizmente o óbito vem antes de se encontrar um doador. Mas, no caso das minhas meninas, a esperança não estava necessariamente na lista de doadores, mas em mim. Quando descobri que eu poderia ser doadora, veio o dilema: qual filha receberia o meu rim? O meu coração ficou tão apertado… Quanto mais eu pensava, mais ficava na dúvida. Não desejo isso a mãe nenhuma. Mas sou uma mãe privilegiada por ter filhas tão unidas e compreensivas. Na véspera daquele Natal de 2004, Anna Maria e Eva Cristina resolveram fazer uma surpresa para a irmã. Depois de muito conversarem, decidiram que Anna Paula seria a filha que receberia o meu rim! Foi um momento de pura emoção, com direito a muitas lágrimas, beijos e abraços de todos.

E então, em fevereiro de 2005, me submeti à cirurgia que resultou no transplante para a Anna Paula. Foram três horas de operação. Deu tudo certo. Assim que me recuperei da anestesia, reuni as minhas forças para, então, ajudar as minhas outras duas meninas.

Sou privilegiada por ter filhas tão especiais!

Em agosto de 2005, seis meses depois da minha operação, meu esposo, João Otávio, foi o responsável pelo segundo transplante da casa. Dessa vez a felizarda foi a Eva Cristina, que estava muito ansiosa por um doador. Isso fez com que a Anna Maria decidisse ser a última da fila. A comemoração final foi festejada para valer dois meses depois, quando ela finalmente conseguiu uma doadora, que também era da família, prima do meu marido. Mais uma vez, foi perfeito! Ao lembrar de tudo isso, ainda me emociono. Sou privilegiada por ter filhas tão especiais.

O pai doou o rim para a Eva Cristina e eu, para a Anna.”

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“Depois da Anna Paula passar pelo transplante, foi a minha vez de receber o rim do meu pai. Mas, por coincidência, antes da minha cirurgia eu soube que nossa outra irmã, a Anna Maria, tinha encontrado um doador também. Foi um alívio. Ela fez o transplante dois meses depois. Tomamos todas as decisões juntas.

Não suportava mais os efeitos colaterais da hemodiálise. As minhas irmãs conseguiam ser mais resistentes que eu. Naquela noite de Natal em 2004, de repente, a Eva e a Anna Maria pegaram o microfone do karaoke e anunciaram que queriam que eu recebesse o rim da nossa mãe. Chorei muito de emoção!

Depois do que vivemos, a minha família sentiu a necessidade de fundar uma ONG sobre transplantes, a Associação Doe Vida. Oferecemos palestras sobre a importância da doação de órgãos e prestamos assistência a quem aguarda um transplante. Hoje existem 70 mil brasileiros na fila por um rim.”


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