Rui Rio diz que “crise é resultado de desonestidade, fraqueza de personalidade e ignorância”

O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, apontou a desonestidade, a fraqueza de personalidade e a ignorância na política e na sociedade como três dos erros que levaram à crise que o país atravessa.

“Para Portugal chegar onde chegou tiveram de ser cometidos muitos erros. Por desonestidade, porque há pessoas que percebem estar a fazer mal, mas interessa-lhes fazer mal. Por fraqueza de personalidade, porque há quem perceba que tem de ser diferente, mas não tem força interior para combater o que acha que tem de ser combatido. E por pessoas que pensavam estar a fazer bem, mas eram ignorantes”, afirmou.

Para o autarca social-democrata, as responsabilidades são transversais à sociedade e não exclusivas da política.

“A responsabilidade disto não é só da política. Será, em primeiro lugar da política, mas não só. Uma fatia muito grande será de responsabilidade de muitos outros sectores da sociedade”, explicou.

Rui Rio falava aos jornalistas no fim da entrega de prémios de mérito escolar “Rumo à Excelência”, no Porto, onde recusou comentar a versão preliminar do Orçamento do Estado para 2013 e quaisquer outras questões “conjunturais”.

Falando dos erros que justificam a actual crise do país, o autarca destacou a “desonestidade de todos aqueles que sabiam que estavam a fazer mal, eventualmente que sabem que estão fazer mal, mas dá-lhes jeito fazer mal e por isso fazem mal”.

Essas pessoas, acrescentou, “prejudicam o colectivo com essa falta de seriedade, indo no sentido inverso àqueles que tem plena consciência de que devia ser diferente”.

“Fazer alguma coisa por isto é falar sobre isto, para que daqui a uns anos a mentalidade mude, a crítica seja maior e aqueles que assim procedem tenham menos margem de manobra”, sublinhou, para a seguir esclarecer estar a falar “de razões fora da esfera política”.

“Não é pelo facto de mudar o Governo que, em dez milhões de portugueses, os que não eram sérios vão passar a ser sérios, os que tinham fraqueza de personalidade vão deixar de ter e os ignorantes vão deixar de o ser”, assegurou depois, em declarações aos jornalistas.

Sobre a fraqueza de personalidade, Rui Rio referiu que “muita gente sabia que estava a cometer erros sabia que as coisas tinham de ser feitas de outra maneira, mas a sua personalidade é fraca e não tem força para contrariar aquilo que sabem que está a ir no mau caminho”.

Para o edil, nesses casos as pessoas “às vezes não têm sequer a força de apoiar aqueles que procuram que as coisas vão no caminho certo”.

Além disso, acrescentou, “muita gente cometeu muitos erros, levou o país a esta situação, por manifesta ignorância, por não perceber sequer o mal que estava a fazer”.

Rio considera que este é o combate mais fácil de fazer porque passa “pela educação”.

“Quando instituímos um prémio de mérito escolar não o fazemos por elitismo. Estamos a apontar o caminho da excelência e do saber – isso é o melhor que podemos fazer para colmatar uma das razoes dos erros cometidos, ou, dito de outra forma, do nosso atraso”, justificou.

De acordo com o autarca, a existência de “países melhores do que outros” não é obra do destino.

“As razões têm de estar em nós. Uma delas é a excelência e o rigor. É isso que não conseguimos como outros conseguem”, disse.

@Publico.pt


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